PEP: de Hipócrates aos dias atuais

american doctor with notebookDepois de pesquisar e organizar material para o meu pré-projeto de mestrado (que infelizmente não inscrevi a tempo) descobri muita coisa interessante sobre PEP – Prontuário Eletrônico do Paciente.  O que, profissionalmente, tem sido muito útil, uma vez que estou envolvida em um projeto desse tipo no momento.

O uso do prontuário médico é quase tão antigo quanto o exercício da própria medicina. Os primeiros registros médicos de pacientes, segundo MASSAD (2003), datam do século V (idéia fortemente defendida por Hipócrates). Ainda, segundo ele, a palavra prontuário, é originária do latim promptuarium e, significa ”lugar onde se guardam ou depositam as coisas que se pode necessitar a qualquer instante” e possuía dois objetivos básicos: analisar o desenvolvimento da doença e apontar suas possíveis causas.

De lá para cá o prontuário agregou outras informações e hoje tem um papel fundamental. Na definição do CFM – Conselho Federal de Medicina um prontuário médico é um “documento único, constituído por informações, sinais e imagens registrados a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada, com caráter legal, sigiloso e científico, utilizado para possibilitar tanto a comunicação entre os membros de uma equipe multiprofissional como a continuidade da assistência prestada ao indivíduo.”

Nota-se por estas características que o prontuário reflete a dinâmica dos pacientes.  Ou pelo menos, deveria. A população é flutuante, ou seja, em movimento contínuo. Pessoas nascem, adoecem, morrem ou se reestabelecem todos os dias. O problema sempre foi o suporte. O papel nunca foi flexível o bastante para atender essa dinamicidade. O meio eletrônico, sobretudo com o surgimento da internet, é o suporte ideal para que o prontuário finalmente possa exercer essa característica plenamente. Ou seja, trocar o status de repositório de informação pelo o de ferramenta de tomada de decisão. Ou, novamente citando Massad (2003), pelo o de “um documento dinâmico capaz de subsidiar e nortear as atividades dos profissionais que dele fazem uso”.

É muito provável que, em especial devido ao momento profissional que estou vivendo, que várias menções ao PEP  (ou posts relacionados a ele ) tornem-se frequentes no blog. O fato é que o assunto rende. Há uma crescente literatura sobre ele disponível na web e fora dela.

Como integrante de um sistema de informações em saúde, o PEP faz toda a diferença. E torna tudo mais complexo também, em termos de desenvolvimento. Desenvolver um sistema de informações em saúde não é tarefa simples.  É árdua, pois além de ser utilizado por uma equipe multidisciplinar de profissionais e de auxiliar a tomada de decisão nas esferas clínica e administrativa, ele precisa ser aderente à realidade local. Com a presença do PEP torna-se completo como ferramenta de gestão, já que permite aos gestores:

1. Eficiência: consistência das informações e aderência às especificidades;

2. Melhoria: de processos e de gestão;

3. Mudança: de realidade, de satisfação dos usuários (elevação);

4. Controle: custos e recursos.

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Referências:  MASSAD, Eduardo, MARIN, Heimar de Fátima (2003). O prontuário eletrônico do paciente na assistência, informação e conhecimento médico. São Paulo: DIM-FMUSP/NIEN-UNIFESP /OPAS.

                                  PAVANI, Luana (2007). Como gerenciar bons contratos com fornecedores in INFO CORPORATE – Anuário de tecnologia e serviços. São Paulo: Editora Abril.

                                 Fotos by Stock.XCHNG

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Uma resposta em “PEP: de Hipócrates aos dias atuais

  1. Um dos problemas que os médicos sempre têm é em relação aos medicamentos. Atualmente temos mais de 11 mil apresentações de produtos, que torna a tarefa de prescrever um tormento para médicos e pacientes. Para os médicos é difícil lembrar dos nomes de produtos, suas apresentações e complicações, para os pacientes é difícil entender a letra do médico e entender a prescrição. Em estudo recente, 10% das receitas contém erros, e mais de 40% dos pacientes não entendeu o que foi prescrito e orientado.

    Para este problema, médicos formados na UNIFESP e USP desenvolveram um Portal de Serviços Médicos chamado PORTAL SAÚDE DIRETA (www.saudedireta.com.br). Este portal tem um Prontuário Eletrônico de Pacientes, de uso livre e gratuito para os médicos. Nele o médico encontrará poderosas ferramentas prescricionais, como um completo banco de dados de medicamentos, uma ferramenta de análise automática de interações de medicamentos on line, em português, que funciona ato da prescrição, e ainda a possibilidade de imprimir as receitas. O Portal é totalmente web, gratuito, rápido e seguro.

    Os médicos agora têm a disposição este serviço web, que pode ser acessado de qualquer lugar do planeta, por qualquer dispositivo fixo ou móvel com conexão à internet. Se o médico prescrever um medicamento para um paciente idoso, e este estiver usando vários medicamentos anteriormente, agora é possível detectar imediatamente qualquer interação medicamentosas entre as 155 mil possíveis que estão no Banco de Dados. É uma imensa segurança para os médicos e pacientes. Reações Adversas a Medicamentosas matam mais de 100 mil pacientes por ano nos USA, pacientes internados em hospitais, e que são monitorados por sistemas semelhantes. São mais de 700 mil casos nos USA, tornando-se a quarta maior causa de morte! No Brasil os dados estatísticos são desconhecidos ou incompletos, e para piorar o brasileiro adora auto-medicação.

    Esta é minha modesta contribuição para diminuir este problema na sociedade brasileira.

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