Colaboração em Saúde: a importância das comunidades

colaboraO assunto merece toda atenção que tem recebido e, no caso específico da Saúde, há ainda um campo muito fértil a ser explorado. As comunidades são consideradas, atualmente, o melhor exemplo de colaboração em saúde graças à contribuição na troca de informação e conhecimento entre gestores, profissionais de saúde, prestadores e pacientes e na realização de ações de prevenção bem sucedidas.  Elas também desempenham um papel importante na capacitação de profissionais e na gestão de reputação e relacionamento.

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Colaboração em Saúde

maosMuito já foi escrito sobre colaboração. O assunto merece toda atenção que tem recebido e ninguém mais desconhece suas vantagens. Apesar disso, e de experiências bem sucedidadas no contexto do SUS, muito ainda pode e deve ser feito, em termos de colaboração, em prol da saúde, como, por exemplo, no Controle Social (Conselhos de Saúde) e na Capacitação/Educação Permanente de Profissionais de Saúde. Ambos são atores importantes na cadeia de serviços públicos de saúde e carentes de ações colaborativas, que por sua vez, podem contribuir muitíssimo para a disseminação de conhecimento e para a realização de ações de prevenção bem sucedidas.

No caso dos Conselhos de Saúde, a colaboração ajuda a entender melhor “alguns aspectos da dinâmica entre informação e participação em saúde, na qual uma cultura da informação e uma cultura de controle social se alimentam e se influenciam mutuamente” (MARCONDES, 2009). Na capacitação de profissionais de saúde, a aprendizagem e a consequente melhoria no atendimento são altamente favorecidas. De um lado, profissionais capacitados atuam de forma mais segura e mais focada em prevenção, ajudando os pacientes  a desenvolverem uma postura preventiva,  muito mais eficiente que a reativa, onde a procura por ajuda especializada só ocorre quando algo de errado, desagradável ou incomum é identificado. Por outro lado, os pacientes sentem-se mais confiantes quando atendidos por profissionais mais preparados e tendem a acatar melhor a orientação deles. É o que comprova o estudo realizado pela Consultoria TerraForum (2009), que constatou que “a dinâmica colaborativa entre profissionais, propicia a disseminação de informações que favorecem a melhoria na qualidade de vida dos pacientes, além da criação de novos conhecimentos, importantes no desenvolvimento de novos tratamentos e soluções para a saúde, em uma perspectiva muito mais voltada para a atuação preventiva”.

Exemplos não faltam. No âmbito governamental, ações como o Programa Telessaúde Brasil (com foco na Atenção Primária, através do estudo de casos e da capacitação das equipes de Saúde da Família) e a Campanha o Brasil Livre da Rubéola, provam de que o uso de recursos colaborativos como vídeos, chats, blogs e redes sociais ajudam muito na conscientização da população e na prevenção de doenças. Aliás, a própria população tem se organizado através de comunidades como a Care Pages, onde pacientes compartilham histórias, trocam experiências, informações e mantém uma rede permanente de apoio de amigos e familiares. Desta forma, promover o uso de ferramentas de colaboração que atendam esta demanda são mais  que oportunas. Alfresco e Moodle podem resultar em projetos de colaboração robustos e aderentes à realidade dos estabelecimentos públicos de saúde na capacitação de seus profissionais. A integração ocorre através de um plugin do Moodle (plataforma livre de e-learning), ao Alfresco,  solução opensource de ECM (gerenciamento de conteúdo),  permitindo a criação de um ambiente robusto e intuitivo de aprendizagem.

Na mesma linha está a Noosfero, ferramenta para a criação de redes sociais com blog, portfólio, RSS, entre outras funcionalidades. A Plataforma Freire (ambiente de aprendizagem do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, gerido pela CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), por exemplo, foi desenvolvida com o Noosfero pela empresa baiana Colivre – Cooperativa de Tecnologias Livres. Pela suas características, é uma solução sob medida para o desenvolvimento de uma rede ou mesmo de uma plataforma de integração entre os conselhos municipais e estaduais de saúde.para troca de informações entre conselheiros, gestores e profissionais de saúde e cidadãos.

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Referências:

MARCONDES, Willer Baumgarten (2009). DATASUS e conselhos de saúde: diálogos entre os sistemas de informação em saúde e o controle social in A Experiência Brasileira em Sistemas de Informação em Saúde – Volume 2: Falando sobre os Sistemas de Informação em Saúde no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde, FIOCRUZ – Fundação Oswaldo  Cruz.

TERRAFORUM Consultoria, 2009. Saúde 2.0: Impulsionando transformações na saúde. Disponível em http://biblioteca.terraforum.com.br/BibliotecaArtigo/Saude_2.0.pdf.

PEP: de Hipócrates aos dias atuais

american doctor with notebookDepois de pesquisar e organizar material para o meu pré-projeto de mestrado (que infelizmente não inscrevi a tempo) descobri muita coisa interessante sobre PEP – Prontuário Eletrônico do Paciente.  O que, profissionalmente, tem sido muito útil, uma vez que estou envolvida em um projeto desse tipo no momento.

O uso do prontuário médico é quase tão antigo quanto o exercício da própria medicina. Os primeiros registros médicos de pacientes, segundo MASSAD (2003), datam do século V (idéia fortemente defendida por Hipócrates). Ainda, segundo ele, a palavra prontuário, é originária do latim promptuarium e, significa ”lugar onde se guardam ou depositam as coisas que se pode necessitar a qualquer instante” e possuía dois objetivos básicos: analisar o desenvolvimento da doença e apontar suas possíveis causas.

De lá para cá o prontuário agregou outras informações e hoje tem um papel fundamental. Na definição do CFM – Conselho Federal de Medicina um prontuário médico é um “documento único, constituído por informações, sinais e imagens registrados a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada, com caráter legal, sigiloso e científico, utilizado para possibilitar tanto a comunicação entre os membros de uma equipe multiprofissional como a continuidade da assistência prestada ao indivíduo.”

Nota-se por estas características que o prontuário reflete a dinâmica dos pacientes.  Ou pelo menos, deveria. A população é flutuante, ou seja, em movimento contínuo. Pessoas nascem, adoecem, morrem ou se reestabelecem todos os dias. O problema sempre foi o suporte. O papel nunca foi flexível o bastante para atender essa dinamicidade. O meio eletrônico, sobretudo com o surgimento da internet, é o suporte ideal para que o prontuário finalmente possa exercer essa característica plenamente. Ou seja, trocar o status de repositório de informação pelo o de ferramenta de tomada de decisão. Ou, novamente citando Massad (2003), pelo o de “um documento dinâmico capaz de subsidiar e nortear as atividades dos profissionais que dele fazem uso”.

É muito provável que, em especial devido ao momento profissional que estou vivendo, que várias menções ao PEP  (ou posts relacionados a ele ) tornem-se frequentes no blog. O fato é que o assunto rende. Há uma crescente literatura sobre ele disponível na web e fora dela.

Como integrante de um sistema de informações em saúde, o PEP faz toda a diferença. E torna tudo mais complexo também, em termos de desenvolvimento. Desenvolver um sistema de informações em saúde não é tarefa simples.  É árdua, pois além de ser utilizado por uma equipe multidisciplinar de profissionais e de auxiliar a tomada de decisão nas esferas clínica e administrativa, ele precisa ser aderente à realidade local. Com a presença do PEP torna-se completo como ferramenta de gestão, já que permite aos gestores:

1. Eficiência: consistência das informações e aderência às especificidades;

2. Melhoria: de processos e de gestão;

3. Mudança: de realidade, de satisfação dos usuários (elevação);

4. Controle: custos e recursos.

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Referências:  MASSAD, Eduardo, MARIN, Heimar de Fátima (2003). O prontuário eletrônico do paciente na assistência, informação e conhecimento médico. São Paulo: DIM-FMUSP/NIEN-UNIFESP /OPAS.

                                  PAVANI, Luana (2007). Como gerenciar bons contratos com fornecedores in INFO CORPORATE – Anuário de tecnologia e serviços. São Paulo: Editora Abril.

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